
A Educação Física compreendida como uma área multidisciplinar torná-se algumas vezes um tema tanto que complexo para entendimento da maioria dos estudantes e, por que não, para alguns professores também.
Um debate que tem tomado conta de alguns corredores país afora é o que tange à formação profissional, debate este que está diretamente ligado às Diretrizes Curriculares - (DC) Nacionais para os cursos de Educação Física no Brasil.
Para que todos possam entender, DC é uma espécie de regimento que os cursos de Educação Física espalhados pelo país têm que seguir para que o curso esteja dentro dos padrões nacionais. As mais novas Diretrizes para a Educação Física datam de 2004. O fato de carregar o termo "novas", neste caso, não significa necessariamente que houve avanços para a área. Para que se possa entender, necessário se faz um pequeno retorno na linha do tempo...
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Antes das Diretrizes de 2004, a Educação Física do país possuia diretrizes que datavam de 1987. Estas diretrizes já expunham a possibilidade de fragmentação, mas foi uma tendência não-seguida pela ampla maioria das Instituições de Ensino Superior no país. Somente na década de 90, como o boom das academias de ginástica e musculação é que parece haver um encaminhamento para a formação dos cursos de Bacharelado em Educação Física.
Uma das principais argumentações para a criação dos cursos de Bacharelado era que os profissionais que trabalhavam no campo não-formal, ou seja, fora dos domínios da escola, eram diferentes dos trabalhadores que estavam presentes diariamente nas escolas. Quem torná-se deciso na promoção desse discurso é o sistema CONFEF/CREF's.
Criado pela Lei 9696/98 de 1º de setembro de 1998, o CONFEF surge dizendo que é o conselho profissional que vai defender seus pares e garatir para estes lugar no então chamado mercado de trabalho, agindo portanto de forma diferente de todos os outros conselhos em que o papel é de fiscalização diante dos maus profissionais para com a sociedade.
Mas diante da questão das Diretrizes Curriculares o CONFEF atua no sentido de garantir a sua fatia do bolo, isto é, a criação dos cursos de bacharelado seria a garantia para a manutenção do CONFEF (diga-se de passagem: manutenção econômica acima de tudo!).
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A discussão a respeito de "novas" Dirtrizes Curriculares para a Educação Física tem seu início em 2002, mas é em 2004 que este processo de reformulação tem seu fim. O término de reformulação das Diretrizes Curriculares trouxe consigo o incentivo a fragmentação da área, isto é, possibilitou a criação de diversos cursos de Bacharelado pelo país, e isto diretamente ligado à ingerência do CONFEF sobre a reformulação das Diretrizes. Quanto mais bacharéis no mercado de trabalho, mais filiados ao sistema CONFEF será necessário, partindo da prerrogativa de que para trabalhar é preciso pagar a anuidade do conselho profissional.
Daqui em diante podemos sair do flashback...
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A partir da aprovação das Diretrizes Curriculares de 2004, o Movimento Estudantil de Educação Física - MEEF, passa a questionar as diretrizes recém aprovadas. Das tensões criadas em torno da problemática em questão, o MEEF estrutura uma nova proposta de Diretrizes para a Educação Física.
Talvez o argumento mais enfático que se pode fazer uso neste momento é dizer que não há nada que impeça o livre exercício da profissão de professor de Educação Física nos âmbitos não-formais, além do que o campo de trabalho para a Educação Física é muito mais abrangente no âmbito escolar do que no âmbito não-formal.
Partindo por esta linha de pensamento, a proposta de Diretrizes Curriculares que o MEEF estrutura vai ambranger uma formação de caráter ampliado. A formação de caráter ampliado significa dizer que àqueles/àquelas que possuirem formação pela via de um currículo ampliado, serão profissionais na categoria de professores que estarão aptos a galgarem espaço de trabalhotanto no campo formal de educação, quanto no campo não-formal, sem contudo deixarem de exercer a ação pedagógica que tanto caracteriza a Educação Física.
Subsidiados pelo acúmulo do MEEF é que os estudantes da Universidade Federal de Santa Maria - UFSM, após muitas discussões entre discentes e docentes conseguem paralisar o funcionamento tanto do curso de Licenciatura quanto do curso de Bacharelado por três dias. Durante os três dias de paralisação a organização estudantil conseguiu abrir espaço para que estudantes, professores e funcionários dos dois cursos discutissem a formação profissional e como esta iria ser pautada. Para tal, foram orgnizadas mesas de debates em que provavelmente a mais importante tenha sido a que contou com a pasrticipação do Prof° Paulo Barone, Presidente do Conselho Nacional de Educação, que resaltou o que o MEEF já tinha conhecimento, que não há nada que impeça a atuação do professor de Educação Física fora do campo formal.
A participação do Paulo Barone foi crucial do sentido de relegar forças à luta estudantil na UFSM, o que culminou ao final dos debates com a descolha de um único cúrriculom para a Educação Física daquela universidade - Licenciatura de caráter ampliado!
Atualmente o MEEF vem construindo seu posicionamento a respeito da formação em Educação Física nos espaços e fóruns em que participa, tornando-o cada vez mais consistente.
O MEEF hoje tem clareza de que a "Educação Física é uma só!" e de que é necessário uma "Formação unificada já!
